O blog anda votado ao abandono, deve-se sentir um proscrito.Companheiro de tantas (des)venturas tem passado à margem de mim nos últimos tempos. Merecia aqui um comentário, quanto mais não fosse, a situação caótica a que fomos votados por um presidente que não soube presidir. (Será alguem capaz de lhe explicar que o seu salário justifica mais que ums cortes de fitas e ums discursos para animar a malta?)
Mas nem isso me fez dar ao trabalho.Ontem fiz aquele que espero ter sido a minha última prova de exame e agora a incerteza já instalada começa a alastrar. A melhor analogia que consigo fazer da minha vida neste momento é com a cidade de San Francisco em pleno terremoto: Instabilidade pura.
Seria este por ventura o momento de me voltar para este companheiro e fazer dele um escape, um motor de optimismo...mas não vou deixando-o assim ao lado voltando apenas de longe a longe. Desculpa qualquer coisinha pá!
PS: Hoje devia ser dia de aqui colocar uma letra de uma cantiga, mas não o vou fazer. Sou uma sanguessuga criativa, mas nem tanto.
Foi numa noite chuvosa
Que tu a mim me deixastes
Fiquei ai tão chorosa
Com a carta que me mandastes
Não podia acreditar
Em tudo aquilo que lia
Erem erros e c'linadas
Que eu nada percebia
Lá tive de me esforçar
Pra tentar te compreender-te
Tavas-me a abandonar-me
Deus me valha, Deus me valha
E agora que é que eu faço?
Que é que vai ser de mim?
Tou práqui abandonada
Por ti, Manel Jaquim
Fui falar com o bispo
Perguntar-lhe o que é que eu faço
O homem, surdo, deu-me um kispo
E para o pescoço, um laço
Voltei pra casa raivosa
Parecia uma doidivanas
Desatei a beber tudo
E fui jantar ao Timpanas
Lá escrevi este fadinho
Fado levado da breca
Hoje quem o canta muito
É a Olinda Marreca
Tu também podes cantar?li?o
Tu e quem mais quiser?li?o
Isto quantos mais melhor
Venha venha quem vier
Larali-lara-larãe
Larali-a quem não tem
Lara-li lara larai
Laralai quem vai não vai
Ai
Cebola Mol
PS: Cristiano Ronaldo ;) (esta é pró Nikonman)
Adeus Rui, muito e muito obrigado por tudo.
PS: A única coisa que me deixou frustrado ontem foi ver-te partir sem ganhar nada. Porem os italianos têm razão: És um grandissimo campeone!
Ressurgiremos ainda sob os muros de Cnossos
E em Delphos centro do mundo
Ressurgiremos ainda na dura luz de Creta
Ressurgiremos ali onde as palavras
São o nome das coisas
E onde são claros e vivos os contornos
Na aguda luz de Creta
Ressurgiremos ali onde pedra estrela e tempo
São o reino do homem
Ressurgiremos para olhar para a terra de frente
Na luz limpa de Creta
Pois convém tornar claro o coração do homem
E erguer a negra exactidão da cruz
Na luz branca de Creta
Sophia de Mello Breyner Andresen
A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andresen